A corda quando arrebenta
É sempre para o mais fraco
E quem trabalha oprimido
É que vai para o buraco
O patrão fica com tudo
Querendo ser milionário
O trabalhador vai mudo
Suando por seu salário
Acorda cedo, come pouco
Trabalha muito, sem sorrir
Enfrenta o trânsito louco
Quando queria dormir
Bate carimbo, bate enxada
Entrega carta, limpa chão
E dinheiro no fim do mês
É só no bolso do patrão
Não vê seus pais, nem seus filhos
E ninguém o vê chorar
Viajando pelos trilhos
Sem saber se vai chegar
Todo dia esculachos
Do chefe e da polícia
Precisam provar ser machos
Se sumir nem é notícia
O trabalhador adoece
Morre cuspindo catarro
O patrão quer sempre mais
Mais dinheiro, mais um carro
Fica trancado em seu castelo
Só planejando a guerra
Pensando ser o mais belo
Não vale o que o gato enterra
Camaradinha…